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TRANSFORMAR: dicas da iniciação em design gráfico do Comitê de Diversidade

Compartilhar conhecimento em design gráfico não é apenas ensinar uma profissão. Isso pode ampliar oportunidades para pessoas que enfrentam barreiras para entrar no mercado de trabalho. Esse propósito nos motivou a lançar a segunda edição da TRANSFORMAR – Oficina de Design da Caiena, voltada à comunidade LGBTI+, especialmente às pessoas trans, público-alvo da primeira edição em 2022.

Gratuita e online, o objetivo da TRANSFORMAR foi aproximar as pessoas LGBTI+ do universo do design gráfico por meio de dois encontros. Nas aulas, realizadas em 22 e 23 de junho, o grupo aprendeu princípios da área e pôde conhecer os primeiros passos para uma possível carreira. As aulas foram conduzidas pelas feras da Caiena Edu Araújo, líder de Design Gráfico, e Dara Alves, designer gráfica.

Na Caiena, acreditamos que diversidade também se constrói ampliando o acesso à formação. Por isso, a TRANSFORMAR nasceu como uma iniciativa do Comitê de Diversidade para aproximar e desenvolver pessoas LGBTI+ interessadas na carreira de design gráfico, principalmente de pessoas trans, que têm ainda mais dificuldades de ingressar no mercado de trabalho. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas um quarto das pessoas trans têm emprego formal no país. E as que estão inseridas no assalariamento formal recebem 32% a menos que a média nacional.

A TRANSFORMAR também foi uma ação pensada na celebração do mês do Orgulho LGBTI+ na Caiena. O período foi o marco inicial da criação do Comitê de Diversidade, em 2017, e segue motivando outras atividades que vão além do Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, datado em 28 de junho.

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Como foi a segunda edição da TRANSFORMAR

20 anos, o design gráfico faz parte da Caiena e levamos um pouco dessa experiência para quem deseja dar os primeiros passos na área. As aulas foram conduzidas por duas feras da nossa Área de Design Gráfico: o líder Edu Araújo, que é graduado em Produção Audiovisual e possui 16 anos de experiência em diversos segmentos relacionados à área – incluindo uma década de Caiena; e Dara Alves, designer gráfica também graduada na área, com seis anos de experiência no setor.

O primeiro encontro da TRANSFORMAR, no dia 22 de junho, foi dedicado aos fundamentos do design gráfico. Edu e Dara apresentam conceitos iniciais sobre contraste, alinhamento, espaçamento e tipografia, e foram além ao mostrar como essas decisões tornam projetos de design gráfico mais claros e eficientes. Em seguida, os participantes já colocaram em prática esse conhecimento inicial.

O segundo dia da TRANSFORMAR continuou com discussões mais focadas no uso ético de inteligência artificial e em estratégias de carreira no design gráfico. Em vez de apresentar a IA como substituta do trabalho humano, Edu e Dara explicaram como designers gráficos podem utilizá-la de forma ética para ampliar repertório, acelerar tarefas repetitivas e preservar decisões criativas que dependem da experiência profissional. Isso pode evitar resultados genéricos e conflitos de direitos autorais.

“Quando falamos da inteligência artificial no design gráfico, consideramos que ela usa uma biblioteca gigantesca para gerar seus resultados. E aí é que está um problema, porque ela pode ter copiado bancos de imagens e outras fontes que ninguém deu acesso. Não sabemos direito sobre como e quais os termos que estão sendo considerados nesses treinamentos da inteligência artificial. A questão do direito autoral ainda é um pouco nebulosa. Não acho que a IA poderá substituir os designers, porque um designer gráfico, que já sabe os fundamentos e tem anos de experiência, consegue usar a IA para 'tirar' muito mais coisas de forma mais criativa”.

Eduardo Araújo, líder da Área de Design Gráfico da Caiena

Dara listou exemplos de usos da IA no dia a dia de um designer gráfico —  um assunto que inclusive já abordamos no Blog da Caiena, quando acompanhamos as discussões do Web Summit Rio. Para ela, a tecnologia pode ser aproveitada como suporte, e não como entrega final, apoiando na revisão dos textos da arte, para obter insights criativos, na buscas de referências, para adaptar o conteúdo em diferentes formatos, na criação de fotos ou vídeos quando faltam opções em bancos de imagens, para upscale (restaurar artes com baixa resolução) e também para animar elementos estáticos.

Para encerrar, Edu e Dara compartilharam dicas para quem deseja iniciar na carreira a partir de suas próprias experiências. As estratégias incluem construir um portfólio com projetos simulados e uma precificação atenta dos serviços, baseada em custos operacionais. Eles também propuseram uma atividade prática final: uma campanha publicitária fictícia para a divulgação de um fone de ouvido.

Depoimentos de participantes da oficina de design gráfico para pessoas LGBTI+ da Caiena:

  • "Os slides foram bem explicativos e o Edu e a Dara foram muito bem. Explicaram tudo certinho e trouxeram experiências pessoais. Isso é muito legal!".
  • "Eu gostei muito de tudo. Achei super produtivo. Eu não tinha conhecimento nenhum sobre nada de design e tecnologia, então fazer parte desse curso já me proporcionou uma direção. Achei incrível!".
  • "Não senti falta de nada, achei que da forma como fizeram ficou incrível. Deu vontade de fazer mais cursos e ampliar meu conhecimento na área, coisa que antes parecia impossível. Achei o tempo ideal para quem é extremamente leigo, como eu, pois já 'clareou' um pouco as informações".
  • "Adorei e já quero participar dos próximos!"
  • "Excelente! O que mais gostei foi o olhar para cada um como indivíduo".

O que é design gráfico

O design gráfico é a área do design voltada que planeja e cria soluções visuais, e tem como objetivo transmitir uma ideia de forma clara, funcional e atrativa. Cabe então ao designer gráfico tomar decisões sobre tipografia, cores, imagens e composição, para assim resolver problemas com soluções gráficas em diferentes contextos.

Dara explica o design gráfico como uma ferramenta de comunicação visual para transmitir mensagens ao público de forma assertiva. Ela reforça que frequentemente o design gráfico está atrelado ao marketing, auxiliando na venda de produtos e serviços e no ganho de autoridade. 

Essas entregas seguem os princípios do design, conceito geral que define tudo o que está presente na sociedade e que não é resultado da própria natureza. Ou seja, design remete a algo que foi projetado e criado por alguém, como explica o autor Nigel Cross no livro "Design Thinking".

“Todos podem aplicar – e aplicam – design. Todos nós utilizamos o design quando nos planejamos para criar algo novo, seja uma nova versão de uma receita, a nova organização dos móveis da sala, ou o novo layout de uma página pessoal. Evidências de diferentes culturas ao redor do mundo, assim como de designs criados por crianças e adultos, sugerem que todo mundo é capaz de aplicar o design. Então, a maneira de pensar do design é algo inerente à cognição humana; é uma parte chave do que nos torna humanos”.

Nigel Cross na obra "Design Thinking".

As manifestações gráficas fazem parte da história da humanidade há milhares de anos. A arte rupestre, datada em 40.000 a.C., é um exemplo disso. Essas pinturas em cavernas de símbolos representando a realidade da população do período foram os primeiros registros visuais da humanidade. 

O design gráfico evoluiu com o impulsionamento da comunicação de massa e produção de larga escala, principalmente no período pós-guerra, a partir de 1940. Hoje, na era digital, a popularização das tecnologias transformou o modo de fazer design, por meio do desenvolvimento da internet, de ferramentas, de novas técnicas como Design Thinking, User Experience e User Interface (UX/UI), entre outras evoluções.

Como começar a carreira em design gráfico

Quem deseja começar a carreira como designer gráfico deve considerar três pilares de desenvolvimento:

  • Conhecer os fundamentos do design;
  • Manter a prática constante;
  • Construir portfólio e entendimento do mercado.

A formação em design gráfico pode seguir por diferentes caminhos, desde cursos superiores até estudos independentes. Mas apesar da compreensão da teoria, o aprimoramento é resultado da prática contínua.

Ser designer é tornar-se responsável por criar ou comunicar ideias que atendam às necessidades de um público específico, em diversos contextos. Para isso, o designer deve se dedicar a conhecer atores, seus comportamentos e contextos, para obter informações que embasem suas decisões. Isso exige a aplicação de métodos criativos e de como fazer as perguntas certas. Essas informações apoiam a construção de soluções com as quais os usuários se identificam e utilizam com facilidade.

O profissional de design pode seguir uma carreira generalista ou especialista. Designers generalistas buscam entender todas as etapas da entrega de peças visuais e também sobre diversos mercados. Já os especialistas escolhem uma das etapas do processo de trabalho ou um mercado específico de atuação, e se dedicam a conhecer tudo o que for possível sobre este único recorte.

Dentro do design gráfico existem muitas áreas de atuação, como o design de embalagens, branding (design de marcas), tipografia, design 3D, especialização em UX, UI, motion, ilustração, social media, editorial... Cabe a cada profissional entender seu perfil e habilidades para escolher o melhor caminho a seguir.

Mercado de trabalho

A profissão de designer gráfico inclui outras decisões que vão além das soft e hard skills , como os modelos de trabalho, que hoje podem ser CLT ou PJ (pessoa jurídica). Na TRANSFORMAR, a Dara e o Edu aconselharam os participantes a observarem os requisitos das vagas do mercado de trabalho em design gráfico, com atenção às suas descrições, pois muitas vezes ocorrem confusões entre as atribuições desejadas e as responsabilidades de design.

Outra dica, principalmente para quem deseja seguir a carreira autônoma, é precificar os projetos de design gráfico a partir do custo de vida mensal necessário, dividido pelos dias e horas trabalhadas, para chegar a um valor-hora justo. Isso deve incluir gastos com internet, o tempo dedicado ao projeto, deslocamentos e assinaturas de softwares, entre outros.

Mesmo no início, quem optar pela carreira de design gráfico não deve cobrar valores abaixo dessas contas, porque isso pode criar uma “régua” negativa para negociações futuras, como destacaram os especialistas na TRANSFORMAR.

Dara observa que muitos clientes que buscam pagar o mínimo podem ser mais exigentes, gerando problemas e alterações, o que torna o projeto insustentável. Por isso, eles reforçaram a importância de definir limites claros para a quantidade de alterações e horas trabalhadas em contratos e orçamentos, porque a ausência de um método de trabalho definido pode resultar em retrabalho excessivo.

Outra dica para quem está começando como designer gráfico é realizar networking. Isso pode ser feito inclusive de forma digital, principalmente pelo LinkedIn. Portanto, vale a pena atualizar os perfis e interagir com pessoas experientes do mercado. 

Portfólio

Durante a TRANSFORMAR, Dara e Edu reforçaram a importância de reunir os próprios trabalhos em um único espaço para ser consultado por possíveis contratantes, inclusive no início da carreira em design gráfico. 

"É aquela história: para trabalhar, precisa ter experiência, e para ter experiência, precisa trabalhar. Então, no começo, projetos fictícios podem mostrar o potencial profissional, além de ajudar a praticar também. Visitar outros portfólios também é um caminho para captar referências.

Dara Alves, designer gráfica da Caiena

Então, para praticar, eles sugerem para quem está iniciando buscar briefings fictícios, ou até mesmo solicitar para as IAs, além de criarem seus acervos em plataformas como o Behance e Dribble, usando briefings sugeridos pelo Tifólio. Para Edu, um portfólio com três a quatro trabalhos bem executados é suficiente para demonstrar competência.

Aprenda mais sobre design com a Caiena

Hoje, ainda que existam muitos cursos superiores voltados à formação em design gráfico, nem sempre eles oferecem aos estudantes experiências práticas que são exigidas no mercado de trabalho. 

“Essa afirmação de que você nasce com o dom do design é meio relativa. Eu, por exemplo, tenho três irmãos, e quando éramos crianças, nós três gostávamos de desenhar. Mas eles seguiram outros caminhos e eu continuei na área, estudando, e me desenvolvendo. Acho que existe uma questão de esforço também”.

Eduardo Araújo, líder da Área de Design Gráfico da Caiena

Então, para se desenvolver, iniciantes podem buscar cursos livres e até tutoriais no YouTube, entre outras plataformas de compartilhamento de conhecimento gratuitas. Isso inclui também aprimorar soft skills, principalmente a proatividade e a capacidade de resolução de problemas, que são bastante importantes na área.

Aqui no Blog da Caiena, temos mais conteúdos para ajudar quem está começando em design:

Você também acredita que a tecnologia e design podem impactar realidades, e quer construir sua carreira em um ambiente que valoriza diversidade, aprendizado e colaboração? A Caiena pode ser um bom lugar para você, ou para quem se identifica com isso. Cadastre seu currículo em nosso banco de talentos e acompanhe as oportunidades abertas para profissionais com esse perfil. Assim, quando uma vaga surgir por aqui, podemos conversar melhor.

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