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Cone de Futuros: o que é e como aplicar em projetos de inovação

Texto originalmente publicado em 26/03/2024 e atualizado em 02/06/2026.

O futuro é incerto, mas projetos de tecnologia e inovação precisam considerar cenários possíveis antes de tomar uma decisão. Mesmo sem prever o amanhã, o Cone de Futuros apoia equipes a mapear cenários alternativos, identificando riscos e contribuindo para escolhas mais consistentes.

Trata-se de refletir sobre o futuro para desvendar a questão “o que poderá acontecer?”. O especialista em design estratégico da Caiena, Daniel Lucas, explica o que é e como aplicar o Cone de Futuros em projetos de inovação para resolver questões complexas.

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O que é o Cone de Futuros em projetos de inovação?

O Cone de Futuros é um modelo que ilustra como as tendências e eventos de hoje podem moldar diferentes cenários, incluindo projetos de tecnologia e inovação.

Imagine a seguinte questão: quais decisões tomadas hoje podem limitar os cenários disponíveis nos próximos anos? Então, pense em um cone tridimensional, em que o presente se encontra na base e o futuro se expande em um leque de possibilidades. 

Aí está o Cone de Futuros: uma ferramenta visual que categoriza diferentes perspectivas e seus impactos de acordo com a probabilidade e a preferência, para questões em projetos de inovação.

Exemplo de Cone de Futuros.

Utilizar o Cone de Futuros é como olhar para frente, no escuro, usando uma lanterna. Vemos com mais clareza e mais detalhes as coisas que estão mais próximas de nós e mais ao centro do feixe de luz. Já as coisas mais distantes e fora do centro são as que vemos de forma mais obscura e sem tantos detalhes.

Como surgiu o Cone de Futuros?

O futurismo certamente não é algo novo: ele aparece como uma disciplina em meados da década de 1960 com cientistas, acadêmicos e filósofos que exploravam cenários. Esse conhecimento passou a apoiar áreas ligadas ao planejamento estratégico e aos projetos de inovação. Inclusive, já falamos sobre futurismo e formas de se preparar para os cenários do amanhã nesta edição da Newsletter da Caiena.

Mas foi Joseph Voros (2017), professor, físico e futurista, que a partir de modelos anteriores desenvolveu uma ferramenta para pensar nos diferentes tipos de futuros. 

Quais são os tipos de futuro no Cone?

No modelo de Voros, existem sete tipos de futuros:

1. Projetado: este futuro único também poderia ser considerado como sendo “o mais provável” dos futuros prováveis, como uma continuação do passado através do presente e futuro.

2. Prováveis: aqueles que consideramos “prováveis” de acontecer, geralmente com base nas tendências atuais, em grande parte análises quantitativas.

Exemplo: projeção de PIB.

3. Plausíveis: aqueles que pensamos que “poderiam” acontecer com base na nossa compreensão atual de como o mundo funciona (leis físicas, processos sociais, etc.).

Exemplo: humanos morando em Marte.

4. Possíveis: estes são aqueles futuros que pensamos que “podem” acontecer, com base em algum conhecimento futuro que ainda não possuímos, mas que poderemos possuir algum dia.

Exemplo: a cura do câncer.

5. Preferíveis: aqueles que pensamos que “deveriam” ou que “gostaríamos” que acontecessem. Podemos pensar no oposto também, naqueles que "não gostaríamos" ou "não deveriam" acontecer. Esse tipo envolve julgamentos de valor, então o que é preferível para um indivíduo, pode não ser para os outros, pois cada um possui valores, crenças e experiências que moldam suas aspirações e expectativas para o futuro.

6. Absurdo: são os futuros que julgamos serem “ridículos”, “impossíveis” ou que “nunca” acontecerão. Um ponto importante é que alguns futuros absurdos imaginados no passado, hoje são realidade, como o caso das entregas por drone.

Exemplo: reprodução entre seres humanos e robôs.

7. Previsto: o futuro que alguém afirma que "vai acontecer". Esse tipo pode limitar a capacidade de visão que o Cone de Futuros dá, fechando as possibilidades e eliminando o exercício de pensar no futuro, já que partimos de uma visão pré concebida, vinda de um ponto de vista único e pessoal.

Exemplo: máquinas dominarão o mundo.

Adaptado de "The Futures Cone: Use and History" por Joseph Voros.

Exemplos em projetos de inovação

Na Caiena, projetos de tecnologia e inovação começam com o mapeamento de usuários, áreas envolvidas e fluxos de operação. Depois de identificar o problema, o Cone de Futuros pode ser aplicado na avaliação de caminhos possíveis para estruturar projetos de inovação mais preparados para esses cenários.

Em cada etapa de concepção de soluções, exploramos os diferentes tipos de futuros para:

  • Ampliar a visão: identificar oportunidades e desafios que podem surgir no horizonte, desvendando as tendências que moldam o mercado;
  • Avaliar riscos e oportunidades: analisar a probabilidade de diferentes futuros e seus impactos;
  • Criar soluções robustas: desenvolver soluções adaptáveis a diferentes cenários futuros;
  • Construir um futuro desejável: colaborar com os clientes para moldar um futuro positivo e sustentável.

O Cone de Futuros foi muito utilizado no projeto do SME Data Framework, uma consultoria de tecnologia da Caiena para o Governo de Moçambique em parceria com o Banco Mundial. 

O principal objetivo deste exemplo de projeto de inovação foi criar uma base de dados para PMEs (micro, pequenas e médias empresas), em um cenário em que as estruturas de tecnologia e os sistemas ainda estão em desenvolvimento.

A consultoria para o SME Data Framework exigiu muito da exploração de futuro para que as soluções propostas, além de atender às condições atuais, fossem viáveis e aderentes em um futuro próximo, considerando sistemas amadurecidos e mais integrados.

A pergunta "O que poderá acontecer?" foi feita muitas vezes enquanto fazíamos as projeções. Pela nossa experiência, sabemos que projetos de inovação podem falhar quando dependem de um único cenário para funcionar. Então, surgiram as questões:

  • E se esse Ministério demorar para implementar essa API?
  • E se a governança do projeto demorar para tomar as decisões?
  • E se o acesso à internet não melhorar no próximo ano?
  • E se escolherem a tecnologia X e não a Y?

São muitas possibilidades de futuro. Por isso, preparamos o projeto para os possíveis riscos e para seguir na direção de um cenário desejável, levando em consideração o contexto atual.

Uma das etapas do projeto foi composta por um exercício de pensar nos futuros desejáveis a partir da implementação do framework. Nesse ponto, a pergunta que fizemos foi "O que será possível quando a base de dados estiver operacional?”. 

A partir dessa perspectiva, foi possível idealizar um cenário que serve como um objetivo unificador para todas as iniciativas do Governo Digital, direcionando os esforços e garantindo que todos os projetos estejam alinhados a uma visão de futuro comum. 

Assim, consideramos neste exemplo de projeto de inovação as mudanças regulatórias, comportamentos de usuários, infraestrutura digital e a capacidade operacional, fatores que podem alterar o rumo de projetos de inovação ao longo do tempo.

Conclusão

O Cone de Futuros possibilita a tomada de decisão mais clara em projetos de tecnologia e inovação. Essa ferramenta apoia decisões em cenários incertos, que acontecem em ambientes sujeitos a mudanças políticas, econômicas ou comportamentais constantes. 

Também é usado em situações comuns da jornada profissional, como em mudanças de gestão, atrasos em integrações, dependência de fornecedores e alterações regulatórias, por exemplo. Além disso, permite:

  • Visualizar e estruturar diferentes cenários futuros;
  • Definir um cenário desejável a ser perseguido;
  • Criar um objetivo unificador para todas as iniciativas da empresa;
  • Estabelecer as bases para a criação de um plano de ação detalhado.

Projetos de tecnologia e inovação que consideram cenários futuros respondem mais rápido a mudanças e têm menos riscos. Antecipar cenários não elimina incertezas, mas diminui as chances de escolhas sem contexto.

Para cada contexto em que atuamos, aplicamos o SEED de uma maneira – o que funciona depende do probAgora que você entende o Cone de Futuros, que tal tentar aplicá-lo no seu próprio projeto? Montamos um material que guia esse primeiro passo — as perguntas certas para organizar o desafio antes de sair construindo. É só baixar e usar, clique aqui.

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