Localização de espaços culturais é um desafio que não começa no mapa. Começa nos dados. Esse foi o ponto de partida da Caiena para desenvolver uma nova ferramenta para o Observatório Fundação Itaú. Antes deste lançamento, informações sobre 15,7 mil espaços culturais em atividade no Brasil já estavam disponíveis, mas eram distribuídas em diferentes bases, com estruturas e padrões distintos.
O desafio foi unificar essas informações e transformá-las em uma experiência de consulta que permitisse encontrar espaços culturais em um mesmo ambiente, por CEP ou nome, além de contar com recursos para visualizar sua localização em um mapa interativo. Alcançar esse resultado exigiu resolver uma questão anterior à interface: a de organizar e integrar dados de diferentes fontes para torná-los mais acessíveis a quem precisa encontrá-los.
Esta novidade do Observatório Fundação Itaú também permite aos usuários visualizar informações como horário de funcionamento e valores das entradas (no caso de alguns museus), contatos, suas características e histórico de atuação (em alguns pontos e pontões), bem como filtrar espaços culturais de acordo com um raio de busca desejado.
Usar funcionalidades georreferenciadas também permite observar os espaços culturais a partir do território: onde estão concentrados, quais regiões possuem menos opções e quais distâncias existem entre eles.
O lançamento da Caiena junto a Fundação Itaú mostra que tornar um dado acessível não começa na interface. Antes de chegar à ferramenta, foi preciso compreender o problema, avaliar as fontes disponíveis, organizar informações de diferentes origens e definir como esses dados poderiam se transformar em uma experiência de consulta útil.
Esse trabalho dá continuidade à parceria da Caiena com a Fundação Itaú na evolução do observatório. Entre as entregas anteriores estão o relançamento da plataforma, que passou a integrar o Observatório da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), e o desenvolvimento do Explorador de Dados, que permite explorar pesquisas a partir de diferentes filtros e recortes.
Agora, essa mesma lógica de integração aparece em outro contexto: reunir bases, gerar coordenadas e construir uma interface que ajude as pessoas a encontrar e interpretar informações sobre espaços culturais.
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A nova ferramenta de localização de espaços culturais do Observatório Fundação Itaú foi desenvolvida pela Caiena e equivale à primeira deste segmento direcionada pelo Observatório Fundação e Itaú Cultural. Ela atende à necessidade da fundação de disponibilizar informações sobre cerca de 15,7 mil espaços culturais em atividade no Brasil.
Os espaços são distribuídos em quatro categorias na plataforma: museus, pontos e pontões de cultura, cinemas e bibliotecas. A cada busca, os usuários conseguem visualizar um mapa interativo, em que os espaços culturais são apresentados de acordo com a região de interesse preenchida na busca. Também é possível ver lugares próximos e expandir ou reduzir a área de visualização.
O desenvolvimento da ferramenta do Observatório Fundação Itaú rendeu alguns desafios e aprendizados, a começar pela padronização dos campos e formatos dos dados para unificar as bases. O desafio não estava apenas em reunir as bases de dados dos espaços culturais, mas em fazer com que essas informações produzidas em contextos diferentes pudessem ser consultadas como parte de uma mesma experiência. Isso exigiu um trabalho inicial detalhado de tratamento e higienização das bases públicas, que tinham origens e estruturas diversas.
Existem casos em que o desafio não é a falta de informações, mas a maneira como esses dados estão distribuídos, como entre planilhas, sistemas, bancos de dados ou fontes externas. Nessas situações, reunir tudo em uma estrutura coerente pode ser uma atividade complexa, cuja dificuldade aumenta conforme o volume de informações.
Quando o usuário precisa acessar uma informação, mas o caminho para encontrá-la é difícil, a experiência perde qualidade. Em projetos que envolvem grandes volumes de dados, esse problema pode estar menos relacionado à interface e mais à forma como as informações foram estruturadas desde o início. Por isso, antes de pensar em uma nova funcionalidade, vale dedicar um esforço para compreender a estrutura necessária, o estado atual das bases de dados, definir quais informações precisam conversar entre si e o que o usuário precisa encontrar.
A construção da ferramenta de localização de espaços culturais teve como referência um outro recurso criado pela Caiena: a ferramenta de localização de escolas e cursos do Observatório da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) — plataforma que também foi desenvolvida por aqui, e hoje integra o Observatório Fundação Itaú. Essa ferramenta voltada à EPT permite aos usuários conhecerem cursos técnicos de nível médio que estão próximos da sua região.
No caso da nova ferramenta da Fundação Itaú, as informações foram concentradas também utilizando tecnologias de georreferência. Houve uma organização prévia dos dados, que estavam em diferentes bases e com padrões diferentes. Essa reordenação possibilitou seguir para a organização geográfica. Nesta etapa, houve a geração das coordenadas essenciais para o mapeamento e localização exata de cada um dos espaços culturais apresentados na ferramenta.
Como resultado, a ferramenta possibilita que o usuário consulte inúmeras informações de várias bases em uma só, com filtros e mapas unificados. O que antes estava fragmentado, passou a ser acessado sob a mesma lógica de consulta.
A equipe do projeto também criou uma interface gráfica que usa ilustrações em alternativa a fotografias para solucionar casos em que não há imagens com boa resolução disponíveis.
Ao reunir diferentes bases públicas em um único ambiente, a ferramenta simplifica a consulta e amplia as possibilidades de análise sobre a distribuição dos espaços culturais pelo território brasileiro. A partir dos dados organizados e georreferenciados, os usuários podem:
- Visualizar a concentração de espaços de acordo com uma área de interesse;
- Encontrar locais próximos a determinado endereço;
- Identificar espaços por região ou categoria.
Essa não é a primeira vez que a Caiena estrutura dados públicos fragmentados para transformá-los em ferramenta de consulta – a plataforma do EPT seguiu o mesmo caminho antes de integrar o Observatório Fundação Itaú. O padrão que se repete diz algo sobre como esse tipo de projeto deveria ser abordado: a organização dos dados não é etapa preparatória, é o projeto. A interface só entrega o que essa camada anterior permite.
Pensando nisso, talvez o desafio do seu projeto também esteja menos relacionado à criação de uma nova ferramenta e mais à necessidade de organizar informações que já existem, conectar fontes diferentes ou encontrar uma forma eficaz de apresentá-las.
Em vez de começar pela funcionalidade desejada, faz mais sentido mapear onde as informações já existem, em que estado estão e o que impede que conversem entre si. Times que pulam essa etapa, inevitavelmente, tendem a voltar para ela mais tarde.

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