Das 29 milhões de pessoas que compõem a população de Moçambique, 11,3 milhões vivem na pobreza (2017). Este tem sido um dos diversos desafios enfrentados pelo país africano, e investimentos em tecnologia tem grande potencial de ser uma das soluções para a situação e gerar grande impacto social.
Logo, conectar os fatores que possibilitam o crescimento de Moçambique aos investimentos em tecnologia pode transformar a vida da população. Foi pensando nesse impacto social que surgiu o projeto "Economic Linkages for Diversification" (“Vínculos econômicos para diversificação”, em tradução livre), que conta com a consultoria de tecnologia e design da Caiena.
Esta iniciativa realizada junto ao Ministério da Economia e Finanças de Moçambique, com financiamento do Banco Mundial, apoiará os esforços de transformação digital do país por meio de um acordo de empréstimo que soma cerca de US$100 milhões. Continue a leitura para entender melhor o impacto social que estes investimentos em tecnologia com consultoria da Caiena possibilitarão ao país.
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- A situação socioeconômica de Moçambique
- Investimentos em tecnologia para superar dificuldades socioeconômicas de Moçambique
O cenário socioeconômico de Moçambique apresenta grandes desafios. Falando do contexto das famílias, somente uma em cada três têm acesso à água potável; uma em cada dez ao saneamento; e uma em cada quatro à eletricidade. Das 189 nações listadas no Índice de Desenvolvimento Humano, Moçambique ocupa a 180ª posição (2019).
E a pandemia de Covid-19 dificultou ainda mais o cenário de Moçambique. A desaceleração da economia neste período refletiu na queda de rendimentos, principalmente nas áreas urbanas e proximidades, uma vez que negócios tiveram que interromper as atividades devido à necessidade de isolamento social. Neste contexto, estima-se que a taxa de pobreza urbana tenha aumentado de 29% para 31% em 2020, impactando mais de 250 mil pessoas. Isso porque muitos perderam o emprego, o que também refletiu em queda de 25% no consumo.
É importante também considerar que, em Moçambique, o setor informal ainda representa a maioria das empresas do país. São, principalmente, pequenos agricultores e empresas familiares. Estima-se que cerca de 89% das empresas sejam informais e que elas representam 30,9% do PIB nacional. As microempresas informais, quando comparadas às formais, vendem cerca de 14 vezes menos, e têm lucros 17 vezes menores. Além disso, são de duas a três vezes menos produtivas.
Outra dificuldade de Moçambique é a baixa escolaridade da população. Em alguns casos, há oportunidades de contratação, porém dificuldade para encontrar pessoas que as atendam. Menos de 5% dos gerentes que trabalham em Maputo, capital de Moçambique, têm escolaridade acima do ensino médio. Em Beira, uma das maiores cidades do país, essa parcela de profissionais chega a quase 10%. Em Nampula, está abaixo de 1%. O nível de educação dos trabalhadores das empresas informais também é limitado.
Além disso, a conectividade dos negócios ainda é bastante limitada. Menos de 5% das empresas de Moçambique usam qualquer forma de solução digital para suas atividades comerciais. Em Beira, apenas 3% das empresas têm acesso a um computador, e menos de 2% utilizam a internet para negócios.
O objetivo do projeto "Economic Linkages for Diversification", que promoverá grandes investimentos em tecnologia em Moçambique, é gerar impacto social, fortalecendo a atuação das micro, pequenas e médias empresas do país, estabelecendo melhores condições para suas diversas relações econômicas e comerciais. E, ao final, isso poderá refletir na melhora da situação socioeconômica da população.
Hoje, os pequenos, médios e grandes negócios enfrentam dificuldades de conectividade, desigualdade econômica e disparidades entre gêneros. Nesse sentido, o acesso à tecnologia e conectividade podem impactar em mais desenvolvimento profissional. O plano é que, ao longo dos anos, isso se reflita também na geração de empregos e melhoria das condições de consumo para a população, fortalecendo a busca pela redução da pobreza.
Além disso, o projeto "Economic Linkages for Diversification" está alinhado com a iniciativa Economia Digital do Banco Mundial para a África (DE4A), que visa garantir que todos os indivíduos, empresas e governos na África sejam habilitados digitalmente até 2030. Desta forma, o DE4A possibilita que os investimentos em tecnologia gerem impacto social positivo no desenvolvimento e o uso de plataformas e ferramentas que promovam vínculos econômicos entre empresas e a gestão pública.
Uma das etapas-chave do projeto "Economic Linkages for Diversification" é de responsabilidade da Caiena: realizar a consultoria para o design de um framework para uma base de dados de micro, pequenas e médias empresas do país: o SME Data Framework.
Neste cenário, os investimentos em tecnologia possibilitam a expansão de capacidades e sustentabilidade das pequenas, médias e grandes empresas de Moçambique, tornando-as mais competitivas. Isso gera impacto social na contratação de mão de obra, abrindo portas para que mais pessoas consigam melhorar suas rendas familiares. O aprimoramento digital também permitirá que empresas tenham uma melhor presença online, otimizando os vínculos econômicos realizados a distância e abrindo caminhos para investimentos estrangeiros.
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FONTE: Documento do projeto “Economic Linkages for Diversification”, Banco Mundial, 2021.






