A violência é uma das principais obstáculos para o empreendedorismo em Moçambique. E uma das soluções para diminuir esse problema que afeta o desenvolvimento do país é o investimento em tecnologia, capacitação e projetos de impacto social. As três frentes estão contempladas na iniciativa “Economic Linkages for Diversification” (“Vínculos econômicos para diversificação”, em tradução livre), do Ministério da Economia e Finanças de Moçambique, com financiamento do Banco Mundial.
E nós, da Caiena, fazemos parte desta iniciativa por meio de nossa consultoria para um componente-chave do projeto: o SME Data Framework. Neste trabalho, estamos alinhando o que é necessário para o design de um framework para uma base de dados sobre as micro, pequenas e médias empresas do país.
O projeto “Economic Linkages for Diversification” tem potencial parafortalecer a economia de Moçambique por meio da tecnologia, capacitação e gestão de projetos. Entenda a seguir a relação do desenvolvimento tecnológico e a segurança do país africano.
Moçambique contou com diversos episódios de violência ao longo de sua história de 48 anos, a começar pela sua independência, que foi conquistada após mais de uma década de conflito armado. Mais recentemente, desde 2017, o país enfrenta diversos ataques terroristas em Cabo Delgado e região. Quatro mil pessoas já foram vítimas do conflito, e mais de um milhão de moçambicanos tiveram que deixar a área devido a essa insurgência extremista islâmica que perdura.
Por conta disso, o empreendedorismo e desenvolvimento econômico do país tem sido bastante comprometido. Um exemplo desse impacto negativo é que Cabo Delgado estava se preparando para receber grandes projetos de gás natural, que equivaleriam ao investimento de US$ 60 bilhões. O projeto refletiria no desenvolvimento de pequenas, médias e grandes empresas de Moçambique que poderiam ser contratadas para prestar serviços na área. Isso sem contar a quantidade de pessoas que seriam contratadas para trabalhar nos empreendimentos. Porém, as multinacionais responsáveis pela iniciativa tiveram que suspender as atividades devido aos conflitos.
Neste cenário, o projeto “Economic Linkages for Diversification” pode contribuir com o impulsionamento do desenvolvimento de empresas moçambicanas e, assim, mitigar alguns dos pontos frágeis do empreendedorismo frente aos conflitos. Ao passo que a marginalização e exclusão da população é reduzida com a implementação de soluções digitais e capacitação, são criadas oportunidades econômicas que possibilitam mais pessoas a não se envolverem com a violência, gerando assim empregos e a inclusão de comunidades no empreendedorismo moçambicano.
Em depoimento à ONU News, agência de notícias da ONU (Organização das Nações Unidas), o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Manuel Gonçalves, ressaltou a importância do investimento em tecnologia para conter a violência, principalmente oferecendo oportunidades aos jovens.
“A população jovem é maioritária. É aquela camada que, facilmente, pode usar a tecnologia de informação, muito rapidamente, e adaptar-se à inteligência artificial. O desafio que nós temos, no momento, é o de criar empregos. Como podemos tirar proveito para a juventude beneficiar desta inteligência artificial?”
Fonte: ONU News, 2023.
Logo, as realizações do projeto “Economic Linkages for Diversification” estão alinhadas com as estratégias do governo moçambicano e também do Banco Mundial para a Fragilidade, Conflito e Violência 2020-2025 (“WBG Strategy for Fragility, Conflict, and Violence - FVC 2020-2025). Elas são baseadas na necessidade da promoção da inclusão social e econômica, especialmente para a juventude, por meio de investimentos em capital humano, criação de empregos e de oportunidades para construir a resiliência e preparação do empreendedorismo em comunidades impactadas por questões sociais e climáticas.
Para completar sua leitura, acesse nosso case no site e conheça detalhes do trabalho de consultoria da Caiena em Moçambique para este grande projeto.
FONTE: Documento do projeto “Economic Linkages for Diversification”, Banco Mundial, 2021.






